Minérios, Artes Marciais e Causos Enormes: Jadepunk!

      O mais novo material publicado pela Pensamento Coletivo é o fantástico Jadepunk. E motivos para sua qualidade não faltam: vão desda cuidado com o material, design e diagramação do texto até a qualidade do cenário e de suas regras, passando, obviamente, pelo fato de ser o primeiro produto da linha Fate Core publicado no Brasil e, salvo engano, o segundo da linha Fate em geral – o primeiro foi o Espírito do Século da Retropunk.
Capa do Jadepunk!

Capa do Jadepunk!

     Começando pelas formalidades: a qualidade gráfica está impecável. A arte do livro é muito bonita e bem inspiradora, assim como o design das páginas, das notas informativas e das informações “extras” no texto são bem legais, tornando tudo claro e deixando a leitura agradável.O trabalho de tradução também me pareceu muito bom: a leitura é fluída e as frases são bem construídas. Existe uma frase ou outra ambígua (“[…] portanto, tem restrições de transporte de certa forma reduzidas […]”, pág 119) e algumas escolhas esquisitas de expressões (“equipes de dois” – pág. 143), mas nada demais. Minha única, e bem pequena, decepção foi com o tamanho do volume: eu esperava que ele fosse do tamanho dos livros menores da Retropunk (como o Espírito do Século e os de Savage Worlds), mas ele é ainda menor (incluir foto), chegando quase ao tamanho do formatinho da Redbox.

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Tamanho do Jadepunk

      Bem, sobre o conteúdo do livro em si: ele é maravilhoso. Não só as regras são muito elegantes, simples e bem articuladas, como o cenário é bem cativante e descrito na medida certa: o suficiente para te ambientar, mas com bastante espaço para você preencher com seus colegas na hora de começar uma aventura ou campanha.
      Começando, novamente, pelo mais formal: as regras são uma variação muito interessante do Fate Acelerado. Elas praticamente deslocam a complexidade do sistema das perícias e suas relações com as façanhas (que é o estilo do Fate Core) pra a construção de Recursos, que substituem as façanhas do Básico. Os recursos são bem legais e podem ser tão simples ou complexos quanto o jogador quiser: um personagem pode ser um justiceiro renegado munido de suas armas, algumas técnicas marciais e um contato que o esconda e o outro um articulador com infinitas redes de contato e cheio de artimanhas e intrigas.
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Interior do Jadepunk.

      Recursos são, no Jadepunk, qualquer coisa que possa ser útil ao personagem e tenha relevância para a narrativa: um aliado, um veículo, um grupo de apoio/empregados/aliados, uma arma, uma tatuagem mágica, uma técnica marcial e assim por diante. E sua construção é bem simples: eles diminuem sua Recarga e dão bônus em situações específicas, como façanhas, mas também tem defeitos e podem ser muito poderosos, custando vários pontos de Recarga.
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Início de Capítulo

      O cenário é muito interessante: muita intriga, conspirações e espaço para vingadores. A cidade de Kausão é um dos melhores lugares para viver em tempos interessantes, como diz a velha maldição chinesa. Não apenas pelas gigantes mineradoras e refinarias de Jade, nem só pelo fato de que o Governador já governa a quase três vezes mais tempo do que devia, sem falar no submundo, no mercado negro de artefatos de Jade e das aulas e torneios de arte marcial. Não, Kausao é infinitamente maravilhosa por ser tudo preto-no-branco: os heróis são sempre heróis e os vilões sempre errados. Ela é honesta nesse mar de complexidades e se assume como uma diversão leve, descompromissada, mas não menos interessante.
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Kausao!

      A parte central do cenário é o uso de Jade, um mineral sobrenatural capaz de coisas maravilhosas e que tornam Kausao uma espécie de anos 20, mas com tecnologias atuais – como barcos que voam (aviões), remédios efetivos, meios de comunicação de longa distância e trens. O termo mais correto é uma vibe steampunk, mas o vapor não é tão marcante quanto o Jade, que pode ser utilizado como componente químico/alquímico e mesmo para fazer tatuagens e implantes que fortaleçam seus detentores.
      Esse mineral é a base da economia do cenário, e Kausao é a principal cidade produtora de Jade Negro, uma variedade muito rara e mesmo tida como fantasiosa, até sua descoberta lá, há pouco mais de 100 anos. Kausao é tão importante e central que é “divida” entre as maiores nações do mundo, sendo governada por um conselho de 9 pares. 2 de cada Nação e mais um governador, que deveria ter um mandato de 8 anos. Mas o último já está a 20 e poucos anos no poder, agradando todas as 4 grandes nações… Se valendo de muita corrupção.
      O foco principal das aventuras é algo no estilo wuxia: os personagens são heróis do povo, combatendo a opressão do Governador, dos aristocratas e do submundo com altivez, garra, esperteza, artes marciais e honra. Qual história épica, recheada de conspirações, drama e muita porradaria seu grupo vai contar para tentar salvar Kausao?

2 comentários sobre “Minérios, Artes Marciais e Causos Enormes: Jadepunk!

  1. Muito boa a resenha! Tive a oportunidade de ler ela antes de abrir o livro o que me istigou ainda mais para me aventurar pelas ruas de Kausao, com direito a imaginar o mundo de Korra dentro onde ao invês de “dobras” um pouco de Jadetec pra complicar a vida.
    De fato a comunidade blogueira de RPG precisava de alguém que trouxesse um “review” desses materiais como você o faz. Espero continuar vendo por aqui publicações! Abraços!

  2. Pingback: Destino, Aspectos e Invocações: Fate Básico, parte 1. | Entoca

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